Qual tipo de creme dental você usa? Em qual parte da geladeira você guarda a manteiga? Quantos emails você passa os olhos e ignora? Você sabe ao certo? Você realmente se lembra? Você se importa?

Rotinas deixam a vida mais fácil. Elas são consistentes, nos tranquilizam e reconfortam. Elas nos fazem dar conta do dia. Ter uma maneira comprovada de fazer desde pequenas coisas, como a hora que acordamos, até grandes compromissos, reuniões, faz sentido. Certo?

“O trabalho contínuo, persistente e implacável pode ser uma forma de preguiça, porque esse é o trabalho que nos é confortável e familiar. E é ele que nos permite evitar o verdadeiro trabalho duro e grandes perguntas sobre nosso presente e nosso futuro: O que estamos nos tornando? Como devemos mudar?”

E quem você acha que disse isso? Um grande filósofo? Um sábio em seu leito de morte? Um anônimo no board “Cool Quotes” do Pinterest? Nenhum desses. A frase é do Arthur Greff Sulzberger, chefão do The New York Times.

No começo do ano passado, vazou um relatório de inovação do mesmo New York Times. É puro drama, tipo reality show. Crises existenciais corporativas reais são viciantes porque – igual Keeping up with the Kardashians – elas sempre se resumem às pessoas. Seja numa grande corporação ou em jatinho particular, a maneira como as conduzimos a normalidade regrada do dia-a-dia para atingir nossos desejos maiores e menos tangíveis é emocionante.

Ainda nessa filosofia Yoda, Sulzberger também disse que “precisamos de mudanças de pensamento que nos permitam investir em coisas que acreditamos serem importantes simplesmente porque acreditamos que são importantes”. Mudar nós devemos, é verdade. Parte do meu trabalho como designer é lidar com clientes que – assim como o New York Times – estão tão ocupados com seu dia-a-dia, que não sabem como começar a focar nos objetivos maiores. Eles podem ver seu futuro, mas não seu lugar nele. Minha tarefa é orientá-los na melhor maneira de desconstruir tudo, priorizar esforços e estratégias, e definir um caminho para a transformação.

Grandes mudanças não acontecem da noite para o dia, e nem devem. Claro, o trabalho é ajudar o cliente a definir uma visão e identificar seus objetivos. Mas também é desenvolver pequenos projetos e metas que sinalizem essas mudanças e catalisem as transformações mais ambiciosas. Basicamente, o trabalho é cortar a gordura e deixar o dia-a-dia mais eficiente.

Hábitos, rituais, rotinas, comportamentos, processos e estruturas. Tudo isso, eventualmente, faz parte de algo maior. Para nós que tentamos viver uma vida encantadora e feliz, e também para as empresas que buscam prosperar em um futuro incerto, encontrar o tempo para cortar a gordura é vital. Fazer isso nos assegura uma rotina, além de reconfortante, significativa, e que nos leva a algum lugar. “É mais fácil fazer coisas triviais que são urgentes do que coisas importantes que não são urgentes”. Ah, essa é do John Cleese.