Esse artigo faz parte do conteúdo produzido para o Building the Future: Mercado Imobiliário

Os nossos espaços são complexos, especialmente no contexto de cidades que rapidamente se urbanizam e aumentam a volatilidade socioeconômica. Além disso, o planejamento municipal e os planos de construção negligenciam o design de espaços públicos de qualidade. Como resultado, muitos brasileiros ainda consideram espaços abertos / públicos como lugares insalubres – condições sujas, repletos de lixo, excludentes e inseguros.

O que deve ser percebido é que as cidades que são hostis para alguns são indesejáveis ​​para todos. Elas perpetuam as divisões sociais e as relações sociais não saudáveis ​​entre as pessoas. O Brasil, com sua história de segregação, precisa urgentemente de espaços físicos para que cidadãos e comunidades de diferentes origens possam interagir. A fim de transformar a paisagem social urbana, o design e o planejamento urbano devem promover a integração espacial, social e econômica. As cidades, além dos edifícios, são feitas de tecido físico e social, do qual os espaços públicos são uma parte importante – eles constroem coesão, desenvolvem sentimentos de pertencimento e inclusão e expressam tangívelmente uma sociedade mais democrática e equitativa.

À luz dessas considerações, fica claro que nossos espaços públicos são muito complexos: usuários diferentes têm múltiplas percepções de espaço e geralmente têm padrões de propriedade variáveis. Como devemos começar a repensar como esses espaços funcionam e como trabalhamos juntos para melhorá-los?

Hoje já aprendemos muito sobre a complexidade do espaço e os inúmeros esforços de indivíduos e grupos para criar e se apropriar do domínio público em um contexto de aprofundamento da desigualdade, urbanização rápida de cidades e aumento da volatilidade socioeconômica. Também está em questão a polaridade entre os responsáveis ​​pela criação e manutenção do domínio público e aqueles que deveriam habitá-lo.

Este é um tema particularmente importante no Brasil, uma nação complexa e diversificada, pois quando se trata de espaço público, um tamanho certamente não serve para todos. Como tal, precisamos de uma abordagem ao espaço público que seja flexível, envolvida localmente, inclusiva e integrativa. O poder dos espaços públicos ainda está na oportunidade de interação direta, mas a esfera da ação pública se ampliou para incluir agora espaços virtuais e digitais, incluindo plataformas de mídia social.

“O futuro do espaço público é um futuro de flexibilização de fronteiras […] precisamos de mais espaços públicos de melhor qualidade para interagir enquanto o mundo virtual colapsa as fronteiras artificiais” – Guy Briggs.

Hoje já é claro que a noção de espaço público (tal como concebida pelas elites urbanas) é, se não obsoleta, certamente incompleta como uma definição. Isso envolve um reconhecimento de que a vida pública vai muito além do formal e do cívico, para abranger o informal, o mundano, o banal – seja discurso político, engajamento cultural ou atividade comercial.

O futuro do espaço público é um futuro de criações de parcerias entre a cidade e os cidadãos, comunidades e empresas, provedores e consumidores de serviços. É um futuro que reconhece que o espaço público funcional e qualitativo é fundamental para alcançar a equidade social e que o espaço público não é apenas para recreação, mas é inerentemente e vitalmente multifuncional, melhor projetado por aqueles que o usarão – os próprios cidadãos.

Foto: Marcela Xavier