Um dia desses eu resolvi voltar para casa pela 23 de Maio. Sou recém chegado aqui em São Paulo e ainda estou aprendendo meus caminhos. Sempre acabo andando de metrô, a solução mais segura para quem costuma ficar perdido, igual eu. Mas nesse dia eu resolvi voltar pela 23 de Maio. A essa altura todo mundo já deve ter lido algum artigo sobre pixo e já deve ter se posicionado sobre o assunto. Por isso esse não é um texto sobre isso. Eu resolvi voltar pela 23 de Maio não só para ver o que estava sendo apagado, mas também o que já estava começando a aparecer.

Com todos os meus alunos de coolhunting eu sempre falo sobre o ponto de contágio de uma tendência – o tal do tipping point, que foi ressignificado pelo Malcolm Gladwell. Já tem um tempo que o pixo anda no radar das tendências. A Louis Vuitton caminhou por aí, a Cacete.co nasceu daí, virou tema de exposição e já começou a virar elemento de decoração, seja nas paredes ou na porcelana.

Sem fazer julgamentos de valor, ou discutir apropriação cultural, o que estamos vendo é a profecia de uma tendência sendo realizada. Um movimento chama atenção, criadores vêem valor ali, a arte e a moda começam a discutir o assunto, jovens dão força para o tema, os detratores tentan barrar a mudança. Está feita aí uma tendência forte. Nem todas seguem o mesmo caminho, mas esse que está sendo traçado pelo Pixo é um dos mais clássicos.

Naquele dia eu voltei pela 23 porque queria ver a tendência que estava acontecendo bem na minha cara. Que, suprimida, volta carregada dos seus valores mais essenciais e subversivos. Só que o Pixo é tão autêntico, que é capaz de virar contra-tendência dele mesmo.